Se você chegou até aqui, provavelmente já ouviu que suas pernas eram “apenas gordura”, que bastava fechar a boca e se exercitar mais, ou que a dor que sente seria “frescura”. Talvez tenha saído de consultas se sentindo menor do que entrou. Por isso, entender como escolher um médico para lipedema com experiência real na doença é um passo que muda completamente a sua jornada. Não se trata apenas de encontrar alguém que conheça o nome da condição, e sim de alguém que compreenda a sua dor, valide o que você sente e saiba oferecer um caminho realista de tratamento.
Sou a Dra. Roberta Portugal, endocrinologista (CRM/ES 13.643 | RQE 8807), e escrevo este texto com dupla motivação: a técnica e a pessoal. Além de atender mulheres com lipedema há anos, eu também sou portadora da doença. Conheço, na própria pele, a frustração de tentar comprar botas que não fecham na panturrilha, a sensação de peso ao fim do dia e o desânimo de não ser levada a sério. É justamente por isso que quero ajudar você a fazer uma escolha segura e consciente.
O que é o lipedema e por que ele é tão mal compreendido?
O lipedema é uma doença crônica que, por muito tempo, foi confundida com obesidade ou com falta de disciplina. Um ponto importante que costumo esclarecer nas consultas é que o lipedema não é uma doença do tecido adiposo em si; ele é uma doença do tecido conjuntivo, na qual o tecido gorduroso é um dos principais acometidos.
Isso significa que não estamos falando apenas de um maior acúmulo de células de gordura. No lipedema, existe mais inflamação, mais fibrose, mais flacidez, maior frouxidão dos ligamentos e um risco aumentado de complicações ortopédicas ao longo do tempo. Essa é uma das razões pelas quais tratamentos genéricos de emagrecimento, isoladamente, costumam frustrar tanto: eles não consideram a complexidade real da doença.
Outro mito frequente é o de que a dor precisa estar sempre presente. A dor é, sim, o sintoma mais comum, aparecendo em cerca de 86% das pacientes. Contudo, isso significa que aproximadamente 14% podem ter lipedema sem dor. A ausência de dor, portanto, não exclui o diagnóstico. Por outro lado, é preciso haver sintomas: uma pessoa apenas com distribuição de gordura desproporcional, mas sem nenhum sintoma associado, não é considerada portadora de lipedema.
Qual especialidade médica trata lipedema?
Essa é uma das perguntas que mais recebo. A verdade é que não existe uma única “especialidade do lipedema”. Os profissionais que mais comumente realizam o diagnóstico são médicos como angiologistas e cirurgiões vasculares, cirurgiões plásticos e endocrinologistas. O ponto decisivo, no entanto, não é apenas o carimbo da especialidade, e sim a experiência real do profissional com a doença.
Como endocrinologista, atuo justamente na interseção entre hormônios, metabolismo e composição corporal, o que faz muito sentido no acompanhamento de quem tem lipedema. Isso porque a doença frequentemente aparece ou piora em fases de grande variação hormonal, como a puberdade, a gestação e a menopausa. Além disso, é muito comum que o lipedema coexista com outras questões metabólicas, e é nesse cuidado integral que a endocrinologia se torna uma grande aliada.
Ao escolher seu médico, mais do que perguntar “qual é a sua especialidade?”, vale perguntar: “você tem experiência com pacientes de lipedema? Como conduz esses casos?”. A segurança da resposta dirá muito sobre a qualidade do cuidado que você vai receber.
Como é feito o diagnóstico de lipedema?
O diagnóstico do lipedema é, essencialmente, clínico. Ou seja, ele depende de uma boa conversa, de uma anamnese detalhada e de um exame físico cuidadoso. Nas minhas consultas, que duram cerca de uma hora, dedico esse tempo a escutar toda a sua história: quando os sintomas começaram, como evoluíram, como está a dor, o inchaço, a facilidade de fazer hematomas e o impacto disso tudo na sua vida.
Do ponto de vista de exames, normalmente solicito apenas ultrassom ou densitometria como apoio, quando necessário. Não existe um exame único que “crave” o diagnóstico, e é por isso que a experiência do médico faz tanta diferença. Um profissional que realmente conhece o lipedema consegue identificar sinais característicos que passam despercebidos por quem não está familiarizado com a doença.
Vale um alerta importante para a sua escolha: desconfie de promessas de diagnóstico instantâneo, feito em poucos minutos, sem uma escuta adequada. O lipedema exige tempo e atenção. Um atendimento apressado dificilmente dará conta da complexidade que essa condição merece.
Lipedema é só para mulheres com obesidade?
Não. Esse é outro equívoco que gera muito sofrimento. O lipedema é mais comumente associado à obesidade, mas mulheres magras também podem ter lipedema, e muitas vezes são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para o diagnóstico. Portanto, o lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade.
É fundamental entender que lipedema e obesidade são doenças diferentes. Uma não se transforma na outra. No entanto, é extremamente frequente que as duas coexistam. O acúmulo de gordura do lipedema e os sintomas associados, como dor e peso nas pernas, podem levar a deformidades e a um estilo de vida mais sedentário, o que, por sua vez, pode favorecer o ganho de peso. São condições distintas, mas que podem caminhar juntas.
Essa distinção tem impacto direto no risco metabólico. No lipedema isolado, o risco metabólico tende a ser menor do que na obesidade. Contudo, quando existe obesidade associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade, e precisa ser cuidado com a mesma seriedade. Por isso, escolher um médico que enxergue esse conjunto, sem reduzir tudo a uma balança, é essencial.
Quanto aos homens, o lipedema é algo extremamente raro. Trata-se de uma condição predominantemente feminina. Nos poucos casos masculinos, ele geralmente está associado a problemas hormonais ou a outras patologias.
Como escolher um médico para lipedema: o que realmente importa?
Depois de acompanhar tantas pacientes que chegaram exaustas de tratamentos frustrados, reuni alguns critérios que considero decisivos na hora de escolher um médico para lipedema. Eles vão muito além do currículo.
1. Experiência genuína com a doença
Procure um profissional que atenda pacientes com lipedema com frequência e demonstre domínio do tema. A experiência real aparece na forma como o médico explica a doença, valida seus sintomas e propõe condutas coerentes. Um profissional que conhece o lipedema não trata você como “exagerada”.
2. Escuta e acolhimento sem julgamentos
Você merece uma consulta em que possa falar sem medo de ser culpada pelo seu corpo. A empatia não é um luxo; ela é parte do tratamento. Como portadora de lipedema, entendo o quanto o descrédito machuca, e por isso o acolhimento é um pilar do meu atendimento.
3. Uma proposta de tratamento realista
Fuja de quem promete cura milagrosa. Não existe tratamento mágico para o lipedema, nem uma única intervenção altamente eficaz que resolva tudo sozinha. O que existe são muitas pequenas intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom. É exatamente por isso que o acompanhamento com alguém que entende do tema faz tanta diferença: para escolher, junto com você, as opções que fazem sentido para o seu caso.
4. Olhar integral para o estilo de vida
O lipedema não se resolve apenas com restrições severas. Como endocrinologista, utilizo ferramentas da medicina do estilo de vida no meu atendimento, avaliando sono, alimentação, estresse, rotina e movimento. É esse conjunto que ajuda a controlar a inflamação, reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Que tipo de tratamento eu posso esperar?
O tratamento do lipedema é sempre individualizado, mas costuma reunir alguns pilares que, combinados, fazem diferença no dia a dia. Nenhum deles funciona isoladamente, e é a soma que constrói o resultado.
A alimentação anti-inflamatória é um dos alicerces. Aqui, prefiro sempre trabalhar sem terrorismo nutricional. Em vez de listas de proibições intermináveis, foco na redução de ultraprocessados, álcool, excesso de sal, açúcar e gorduras, que são reconhecidamente pró-inflamatórios. O objetivo é construir hábitos sustentáveis, e não punições.
O exercício físico também é fundamental. Ele precisa ter controle de intensidade e de volume, respeitar a adaptação individual e, em geral, evitar alto impacto. Muitas pacientes ouvem que só podem se exercitar na água, mas isso não é verdade. Os exercícios aquáticos são excelentes, porém definitivamente não são os únicos recomendados. Musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas também são ótimas opções, sempre com orientação adequada.
Além disso, o cuidado com a dor, o manejo do inchaço, o suporte emocional e, em alguns casos, abordagens de fisioterapia especializada compõem o plano. Quando há obesidade associada, o tratamento do peso entra de forma cuidadosa e sem culpa, respeitando as particularidades do lipedema. É essa visão ampla que busco oferecer, seja no atendimento presencial em Vitória-ES, seja por telemedicina para pacientes de todo o Brasil e do exterior.
Dá para tratar lipedema por telemedicina?
Sim, e essa é uma das perguntas que mais escuto. A telemedicina se tornou uma ponte valiosa para pacientes que não têm, na própria cidade, um médico com experiência em lipedema. Na consulta a distância, a base continua sendo a mesma: uma escuta atenta, uma anamnese completa e um plano individualizado.
Para garantir parâmetros objetivos mesmo à distância, utilizamos aplicativos, fotos e medidas para estimar a composição corporal. Nas consultas presenciais, conto ainda com a avaliação por bioimpedância. O importante é que, em ambos os formatos, a qualidade da escuta e a seriedade da conduta permanecem intactas. Você pode conhecer melhor essa forma de atendimento diretamente no meu site oficial.
Lipedema tem cobertura pelos planos de saúde?
Essa ainda é uma área que gera dúvidas. Atualmente, existe alguma dificuldade na cobertura pelos planos de saúde. O código específico que temos para o lipedema é o CID-11, que ainda não está sendo utilizado na prática clínica e deve começar a ser aplicado a partir de 2027. Quando isso acontecer, a tendência é que o acesso à cobertura fique mais simples.
Por ora, algumas pacientes ainda enfrentam obstáculos, mas, de maneira geral, consultas, exames solicitados e alguns tratamentos podem sim ser cobertos. Determinados tratamentos, como a fisioterapia, em alguns casos também conseguem cobertura. Em certas situações, são necessários laudos e relatórios detalhados para que a paciente obtenha uma cobertura específica, e um médico experiente sabe elaborar essa documentação de forma adequada.
Por que a experiência pessoal faz diferença no cuidado?
Existe um tipo de compreensão que só quem convive com a doença consegue oferecer. Eu sei o que é sentir o peso nas pernas ao fim de um dia longo. Sei o que é lidar com hematomas que aparecem sem explicação e com o inchaço que insiste em voltar. Transformei essa vivência pessoal em propósito profissional, unindo o conhecimento científico da endocrinologia à empatia de quem realmente entende o que você sente.
Não estou aqui para prometer perfeição ou resultados milagrosos. Estou aqui para caminhar ao seu lado, com metas realistas e factíveis, colocando você como protagonista do seu próprio cuidado. Com o tratamento adequado e o acompanhamento contínuo, muitas vezes é possível reduzir a dor, controlar os sintomas e recuperar qualidade de vida de forma significativa.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas reconhecidas e revisado pela Dra. Roberta Portugal (CRM/ES 13.643 | RQE 8807 – Endocrinologia | RQE 8808 – Endocrinologia Pediátrica | RQE 8806 – Clínica Médica), garantindo informações seguras, éticas e atualizadas para o seu cuidado.
- Diretrizes e materiais da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), que orientam a boa prática em endocrinologia e distúrbios metabólicos.
- Recomendações da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), fundamentais quando lipedema e obesidade coexistem.
- Diretrizes internacionais sobre lipedema, que embasam critérios diagnósticos e condutas de tratamento.
- Princípios da medicina do estilo de vida, alinhados às referências do International Board of Lifestyle Medicine (IBLM), do qual possuo certificação internacional após formação em Harvard.
- Experiência clínica de mais de 20 anos de medicina, com atendimento focado em pacientes com lipedema e vivência pessoal como portadora da doença.
Perguntas frequentes sobre a escolha do médico para lipedema
Endocrinologista pode diagnosticar lipedema?
Sim. Endocrinologistas com experiência real na doença podem diagnosticar e conduzir o tratamento do lipedema. Além disso, esse profissional tem um olhar valioso para as questões hormonais e metabólicas frequentemente envolvidas na condição.
Existe exame de sangue que confirma o lipedema?
Não. O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico. Quando necessário, utilizo exames como ultrassom ou densitometria apenas como apoio, não como confirmação isolada.
Lipedema tem cura?
O lipedema é uma condição crônica e não possui um tratamento único que o elimine por completo. No entanto, com um conjunto de intervenções bem orientadas, é possível controlar os sintomas e melhorar de forma importante a qualidade de vida.
Toda pessoa com pernas desproporcionais tem lipedema?
Não. É necessário haver sintomas associados. Uma distribuição de gordura desproporcional, sem nenhum sintoma, não caracteriza lipedema. Por isso a avaliação de um médico experiente é indispensável.
Preciso emagrecer antes de tratar o lipedema?
Não. O tratamento do lipedema não depende de emagrecer primeiro. Quando há obesidade associada, o cuidado com o peso entra de forma integrada e respeitosa, mas mulheres magras também podem ter lipedema e precisam de acompanhamento.
Vamos dar o primeiro passo juntas?
Escolher um médico para lipedema com experiência real na doença é escolher ser ouvida, acolhida e cuidada com seriedade. Se você está cansada de tratamentos frustrados e de ter seus sintomas minimizados, saiba que existe um caminho possível, construído com ciência, empatia e continuidade.
Meus programas de acompanhamento oferecem consultas longas, de cerca de uma hora, avaliação da composição corporal e um cuidado próximo ao longo do tempo, seja no atendimento presencial em Vitória-ES, seja por telemedicina. Se você deseja um tratamento responsável, sem culpa e com suporte médico de verdade, agende sua consulta com a Dra. Roberta Portugal (CRM/ES 13.643 | RQE 8807) pelo site oficial. Vamos caminhar juntas em direção à sua qualidade de vida.


