Você já saiu de uma consulta com a sensação de não ter sido ouvida de verdade? Já ouviu que suas dores nas pernas eram “apenas gordura”, que seu inchaço era “falta de dieta” ou que o efeito sanfona era “falta de força de vontade”? Se você se reconhece nessas situações, quero que saiba: o seu sofrimento é real, tem nome e, na maioria das vezes, tem tratamento. Sou a Dra. Roberta Portugal Endocrinologista, e construí toda a minha prática clínica sobre uma ideia simples, porém transformadora: cuidar de uma pessoa é muito mais do que olhar para um número na balança.
Ao longo de mais de vinte anos de medicina, aprendi que cada paciente carrega uma história. E, no meu caso, essa escuta tem um componente muito pessoal. Também sou portadora de lipedema. Conheço, na pele, a frustração de tentar comprar calças que não fecham na coxa, o desconforto das dores e o cansaço de ouvir explicações que não faziam sentido. Foi essa vivência que transformou a minha dor em propósito. Neste artigo, quero mostrar como é o meu cuidado, que vai além do corpo e acolhe a pessoa inteira.
Quem é a Dra. Roberta Portugal e qual é a sua formação?
Sou médica formada pela Universidade Federal Fluminense, com residência em Clínica Médica e em Endocrinologia, Metabologia e Endocrinologia Pediátrica pelo IEDE. Carrego três registros de qualificação de especialista: RQE 8807 (Endocrinologia), RQE 8808 (Endocrinologia Pediátrica) e RQE 8806 (Clínica Médica). Essa dupla titulação em endocrinologia de adultos e de crianças me permite acompanhar pacientes em diferentes fases da vida, do consultório pediátrico à menopausa.
Além da endocrinologia, tenho pós-graduação em Nutrologia e certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of Lifestyle Medicine (IBLM), obtida após curso em Harvard. Faço questão de esclarecer: minha especialidade central é a endocrinologia. A medicina do estilo de vida e a nutrologia são ferramentas que utilizo na prática clínica para enriquecer o cuidado, e não o contrário. É essa combinação que me permite olhar para o sono, a alimentação, o estresse e a rotina de cada paciente, sempre com base científica.
Atendo de forma presencial em Vitória, no Espírito Santo, e também por telemedicina, o que me permite acompanhar pacientes em todo o Brasil e no exterior. Independentemente da modalidade, o compromisso é o mesmo: um atendimento próximo, atento e sem julgamentos.
O que significa um atendimento que vai além do corpo?
Quando falo em cuidado que vai além do corpo, não estou usando uma frase de efeito. Estou descrevendo, de forma concreta, como conduzo minhas consultas. Elas duram cerca de uma hora, justamente porque acredito que uma boa medicina começa por uma boa escuta. Não dá para entender o metabolismo de alguém sem entender como essa pessoa vive.
Durante a consulta, faço uma anamnese completa de estilo de vida. Converso sobre como você dorme, o que come, como lida com o estresse, quais são seus hobbies e o que traz prazer para o seu dia. Esses aspectos não são detalhes secundários; eles influenciam diretamente hormônios, inflamação e peso. Utilizo também recursos de avaliação de composição corporal, como a bioimpedância com equipamento InBody, para termos parâmetros objetivos. Nos atendimentos a distância, utilizamos aplicativos, fotos e medidas para estimar a composição corporal e garantir dados concretos mesmo à distância.
O meu papel não é entregar uma lista de proibições. É construir, junto com você, metas de ação realistas. Coloco o paciente como protagonista do próprio tratamento, porque mudanças sustentáveis nascem de escolhas conscientes, e não de imposições que geram culpa.
Por que a Dra. Roberta trata lipedema de forma tão próxima?
O lipedema é uma das áreas em que tenho grande experiência, e isso tem uma explicação muito pessoal: também convivo com a doença. Essa vivência me dá uma escuta diferente, porque entendo o peso emocional de não ser levada a sério e o alívio que um diagnóstico correto pode trazer.
É importante esclarecer um ponto que muita gente desconhece: o lipedema não é uma doença do tecido adiposo, e sim uma doença do tecido conjuntivo, na qual a gordura é um dos principais tecidos acometidos. Isso significa que não estamos falando apenas de um maior acúmulo de células de gordura. Há mais inflamação, mais fibrose, mais flacidez, maior frouxidão ligamentar e um risco aumentado de complicações ortopédicas. Por isso, tratar lipedema exige um olhar muito mais amplo do que simplesmente “emagrecer”.
A dor é o sintoma mais comum, presente em cerca de 86% das pacientes. Ou seja, existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos. A ausência de dor não exclui o diagnóstico. Por outro lado, é preciso haver sintomas: uma pessoa com distribuição de gordura desproporcional, mas sem qualquer sintoma, não é portadora de lipedema. Esse equilíbrio na avaliação é o que diferencia um diagnóstico responsável.
Existe cura ou tratamento mágico para o lipedema?
Preciso ser honesta com você, porque a honestidade faz parte do meu cuidado: não existe tratamento mágico para o lipedema, nem um único tratamento altamente eficaz que resolva tudo sozinho. O que existe, e funciona, são várias pequenas intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom. Com o tratamento adequado, muitas vezes é possível reduzir bastante as dores e recuperar a qualidade de vida.
Justamente por isso, o acompanhamento com alguém que realmente entenda da doença faz tanta diferença. Cada paciente é única, e as opções precisam fazer sentido para a sua realidade. Entre as ferramentas que costumo trabalhar, destaco:
- Estratégias alimentares anti-inflamatórias, com redução de ultraprocessados, álcool e excessos de sal, açúcar e gorduras;
- Exercícios físicos, que são fundamentais, sempre com controle de intensidade, de volume e atenção à adaptação individual, evitando alto impacto;
- Cuidados com sono, estresse e saúde emocional;
- Quando indicado, medicação bem selecionada e criteriosa.
Sobre os exercícios, gosto de desfazer um mito: atividades na água são excelentes, mas definitivamente não são as únicas recomendadas. Musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas também são ótimas opções, desde que respeitem o seu corpo e o seu momento.
Lipedema é a mesma coisa que obesidade?
Não. Lipedema e obesidade são doenças diferentes, e uma não se transforma na outra. No entanto, é extremamente frequente que as duas coexistam. O acúmulo de gordura do lipedema e os sintomas associados, como dor e peso nas pernas, podem levar a deformidades e a maior sedentarismo, o que pode agravar o ganho de peso ao longo do tempo.
Do ponto de vista metabólico, o lipedema isolado costuma ter risco menor do que a obesidade. Porém, quando existe obesidade associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade. Por isso avalio cada caso individualmente, sem generalizações.
Outro ponto importante: o lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Mulheres magras também podem ter lipedema e, muitas vezes, são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para o diagnóstico. Já em homens, o lipedema é extremamente raro; trata-se de uma condição predominantemente feminina e, quando surge no público masculino, geralmente está associado a problemas hormonais ou outras patologias.
Como é feito o diagnóstico de lipedema?
O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico. Ele começa com uma boa conversa e um exame físico atento, avaliando a distribuição da gordura, a presença de dor, a facilidade para formar hematomas e outros sinais característicos. Como exames complementares, normalmente solicito apenas ultrassom ou densitometria, que ajudam a apoiar a avaliação.
Médicos como angiologistas e cirurgiões vasculares, cirurgiões plásticos e endocrinologistas podem diagnosticar o lipedema, desde que tenham experiência real na doença. Essa experiência é fundamental, porque o lipedema ainda é subdiagnosticado e frequentemente confundido com obesidade comum ou com problemas circulatórios.
O plano de saúde cobre o tratamento do lipedema?
Essa é uma dúvida muito comum, e a resposta ainda envolve alguma complexidade. Atualmente, ainda há certa dificuldade na cobertura pelos planos de saúde. O código específico para o lipedema é o CID-11, que ainda não está em uso pleno na prática clínica e deve começar a ser utilizado a partir de 2027. Quando isso acontecer, a tendência é que a cobertura fique mais fácil.
Ainda assim, de maneira geral, consultas, exames solicitados e alguns tratamentos podem sim ser cobertos pelos planos. Tratamentos como fisioterapia, em alguns casos, também conseguem cobertura. Em determinadas situações, são necessários laudos e relatórios médicos para que a paciente obtenha uma cobertura específica, e é algo com que posso ajudar ao longo do acompanhamento.
Como funciona o tratamento da obesidade sem dietas malucas?
Recebo muitos pacientes cansados de dietas restritivas, do efeito sanfona e da sensação de fracasso que essas experiências deixam. Quero deixar claro que o peso corporal não define o valor de ninguém, e que a obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Ela não se resolve apenas com força de vontade ou com restrições severas.
Como endocrinologista, utilizo os pilares da medicina do estilo de vida para tratar a raiz do problema. Isso significa olhar para a alimentação de forma sustentável, priorizando comida de verdade e reduzindo ultraprocessados, sem terrorismo nutricional. Significa também valorizar o sono, o manejo do estresse, as conexões sociais e a prática regular de exercícios, que são fundamentais para a saúde metabólica.
Quando a medicação é necessária, ela é indicada de forma criteriosa e individualizada, sempre como parte de um plano maior, e nunca como solução isolada. Não trabalho com promessas de emagrecimento rápido e milagroso. Trabalho com metas reais, factíveis e, principalmente, com um acompanhamento próximo que sustente essas mudanças ao longo do tempo.
A Dra. Roberta atende crianças e adolescentes?
Sim. Como endocrinologista pediátrica (RQE 8808), atendo crianças a partir dos cinco anos e adolescentes. As demandas mais frequentes envolvem obesidade infantil, alterações de crescimento, questões da puberdade e doenças da tireoide.
No cuidado com os pequenos, tenho um princípio inegociável: jamais culpabilizar a criança. O foco é orientar a família de forma segura e acolhedora, criando um ambiente em que os hábitos saudáveis façam parte da rotina de todos, sem imposições que gerem sofrimento ou uma relação ruim com a comida. O objetivo é sempre a saúde e o bem-estar, respeitando a fase de desenvolvimento de cada criança.
Como a endocrinologia ajuda na menopausa e na saúde hormonal?
A saúde hormonal feminina é outra área central do meu trabalho. Acompanho mulheres na menopausa que buscam equilíbrio, qualidade de vida e autonomia nessa fase de transição. Também atendo pacientes com síndrome dos ovários policísticos (SOP) e distúrbios da tireoide, como hipotireoidismo e tireoidite de Hashimoto.
A menopausa envolve mudanças que vão além dos fogachos: ela pode afetar o sono, o humor, a composição corporal e o metabolismo. Meu objetivo é oferecer um cuidado individualizado, avaliando cada caso para definir a melhor conduta, que pode ou não incluir reposição hormonal, sempre com base em evidências e nas necessidades específicas de cada mulher. Envelhecer com saúde e qualidade de vida é um direito, e a endocrinologia tem muito a oferecer nesse processo.
Como funcionam os programas de acompanhamento?
Acredito que resultados sustentáveis vêm da continuidade, e não de uma única consulta isolada. Por isso, estruturei programas de acompanhamento pensados para caminhar ao seu lado ao longo do tempo. Neles, você tem consultas de cerca de uma hora, avaliação da composição corporal e um contato mais próximo, com suporte ao longo da jornada.
Não estou aqui para vender a ideia de perfeição ou de um corpo ideal. Estou aqui para oferecer suporte médico de verdade, com ciência, empatia e respeito pela sua história. Meu compromisso é devolver qualidade de vida, aliviar sintomas quando possível e ajudar você a construir uma relação mais tranquila com o próprio corpo.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas reconhecidas e revisado por mim, Dra. Roberta Portugal (CRM/ES 13.643 | RQE 8807 | RQE 8808 | RQE 8806), com o objetivo de oferecer informações seguras, éticas e atualizadas. As principais referências incluem:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM);
- Recomendações da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO);
- Diretrizes internacionais sobre lipedema;
- Recomendações do International Board of Lifestyle Medicine (IBLM) e do American College of Lifestyle Medicine (ACLM);
- Publicações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre obesidade e saúde metabólica.
Essa base científica se soma à minha formação em endocrinologia de adultos e pediátrica, à pós-graduação em Nutrologia e à certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida, além da minha experiência pessoal como portadora de lipedema.
Perguntas frequentes
Mulher magra pode ter lipedema? Sim. Embora o lipedema seja mais associado à obesidade, mulheres magras podem ter a doença e muitas vezes são bastante sintomáticas. O ganho de peso não é necessário para o diagnóstico.
Lipedema sem dor existe? Sim. A dor está presente em cerca de 86% das pacientes, o que significa que existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos. Ainda assim, é preciso haver sintomas para o diagnóstico.
Homens podem ter lipedema? É extremamente raro. Trata-se de uma condição predominantemente feminina e, quando ocorre em homens, geralmente está associada a problemas hormonais ou outras patologias.
Consigo tratar meu lipedema por telemedicina? Sim. Realizo atendimentos a distância utilizando aplicativos, fotos e medidas para estimar a composição corporal, garantindo parâmetros objetivos mesmo online. Isso me permite acompanhar pacientes em todo o Brasil e no exterior.
Quanto tempo dura a consulta? Minhas consultas duram cerca de uma hora, tempo necessário para uma anamnese completa de estilo de vida e um cuidado realmente individualizado.
Vamos dar o primeiro passo juntas?
Se você chegou até aqui, provavelmente busca mais do que uma prescrição rápida: busca ser ouvida, compreendida e cuidada de forma integral. É exatamente esse o meu propósito. Um cuidado que enxerga a pessoa por inteiro, respeita sua história e caminha ao seu lado, sem culpa e sem terrorismo.
Se você quer um tratamento responsável, com base científica e suporte médico de verdade, para lipedema, obesidade, saúde hormonal ou acompanhamento pediátrico, será um prazer receber você. Agende sua consulta presencial em Vitória-ES ou por telemedicina diretamente pelo meu site oficial. Vamos, juntas, cuidar do que vai muito além do corpo.


