Você já se sentiu fraca, sem disciplina ou incapaz por não conseguir emagrecer, mesmo tentando de tudo? Já ouviu que bastava “fechar a boca e fazer exercício”? Se essa frase já doeu em você, preciso começar este texto afirmando algo com toda a clareza científica que tenho: obesidade é doença, e não falta de força de vontade. Essa não é uma opinião gentil para confortar quem sofre, mas um consenso amplo da ciência médica mundial. Como endocrinologista, vejo todos os dias mulheres e homens carregando culpa por algo que, na verdade, envolve hormônios, genética, ambiente e biologia muito mais complexos do que qualquer escolha individual.
Ao longo dos meus mais de 20 anos de medicina, percebi que a maior ferida de quem convive com a obesidade nem sempre é o peso na balança. Muitas vezes, é o peso do julgamento. Por isso, quero usar este espaço para devolver a você uma verdade libertadora: o problema nunca foi a sua força de vontade. Vamos entender juntas, com calma e sem terrorismo, o que a ciência realmente diz sobre essa condição e como existe, sim, um caminho de tratamento responsável e acolhedor.
Por que a obesidade é considerada uma doença?
A Organização Mundial da Saúde e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) reconhecem a obesidade como uma doença crônica, complexa e multifatorial. Isso significa que ela não acontece por um único motivo, nem se resolve com uma única atitude. Existe uma classificação internacional de doenças que inclui a obesidade justamente porque ela altera o funcionamento do organismo, aumenta o risco de outras condições e exige acompanhamento médico contínuo.
Quando falamos em doença crônica, estamos falando de algo parecido, em termos de manejo, com hipertensão ou diabetes. Ninguém diz que uma pessoa com pressão alta é “fraca” por precisar de tratamento. Com a obesidade deveria ser igual. O corpo de quem vive com obesidade defende o peso elevado por meio de mecanismos biológicos poderosos. Existem hormônios que regulam a fome e a saciedade, como a leptina e a grelina, que muitas vezes funcionam de maneira alterada. Há também o conceito de “ponto de ajuste”, uma espécie de termostato corporal que tende a puxar o peso de volta após cada tentativa de emagrecimento.
É por isso que tantas pessoas vivem o famoso efeito sanfona. Não é descuido. É a própria biologia reagindo às dietas muito restritivas, reduzindo o gasto de energia e aumentando a fome. Compreender isso já muda completamente a forma como olhamos para o tratamento.
A obesidade é só uma questão de comer demais e se mexer pouco?
Essa é talvez a maior simplificação que existe sobre o tema. A ideia de que tudo se resume a “calorias que entram menos calorias que saem” ignora dezenas de fatores que influenciam diretamente o peso corporal. A ciência atual descreve a obesidade como resultado da interação de vários elementos, e gosto de listá-los de forma clara para que você perceba o quanto a sua história é maior do que qualquer balança:
- Genética: a predisposição herdada influencia o apetite, o metabolismo e a forma como o corpo armazena gordura.
- Hormônios: alterações na tireoide, resistência à insulina, cortisol elevado e desequilíbrios hormonais impactam o peso.
- Sono: noites mal dormidas desregulam os hormônios da fome e favorecem o ganho de peso.
- Estresse crônico: o estresse prolongado altera o cortisol e a relação com a comida.
- Ambiente: a oferta abundante de alimentos ultraprocessados e o ritmo de vida acelerado moldam nossas escolhas.
- Medicamentos: alguns remédios usados para outras condições podem favorecer o ganho de peso.
- Saúde emocional: ansiedade, depressão e a relação afetiva com a comida têm papel real e legítimo.
Como endocrinologista que utiliza ferramentas da medicina do estilo de vida no atendimento, aprendi que olhar apenas para o prato é olhar para uma pequena parte do problema. Em cada consulta, dedico cerca de uma hora justamente porque preciso entender o seu sono, suas emoções, sua rotina, seus hábitos e sua história. Sem essa escuta completa, qualquer orientação seria superficial.
Por que tantas dietas falham no longo prazo?
Se você já perdeu peso e recuperou tudo depois, quero que saiba: isso não foi culpa sua. As dietas muito restritivas falham porque vão contra a biologia. Quando reduzimos drasticamente a comida, o corpo entende que existe uma ameaça e ativa mecanismos de defesa. Ele diminui o gasto de energia, aumenta a fome e prioriza o reganho de peso. É uma resposta de sobrevivência que faz parte da nossa espécie há milhares de anos.
Além disso, dietas baseadas em proibição e sofrimento raramente são sustentáveis. Ninguém consegue viver com fome e culpa para sempre. Por isso, defendo um programa de emagrecimento sustentável, construído a partir de mudanças graduais e reais, respeitando a individualidade de cada pessoa. A medicina do estilo de vida me oferece pilares valiosos para isso: alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade, manejo do estresse, conexões sociais saudáveis e redução de substâncias nocivas.
Quando falo em alimentação anti-inflamatória, não estou propondo cardápios impossíveis. Falo em reduzir ultraprocessados, excesso de álcool, sal, açúcar e gorduras pouco saudáveis, valorizando comida de verdade. E quando falo em movimento, deixo claro que os exercícios físicos são fundamentais para a saúde e para o tratamento, devendo ser escolhidos de acordo com a realidade e o prazer de cada paciente. O objetivo nunca é a punição, mas a construção de uma vida mais leve e possível.
Existe tratamento médico de verdade para a obesidade?
Sim, e ele é muito mais amplo e seguro do que as soluções milagrosas que circulam por aí. O tratamento da obesidade é individualizado e pode combinar diferentes recursos. As mudanças no estilo de vida são a base de tudo, mas, em muitos casos, contamos também com apoio medicamentoso bem indicado, sempre com critério científico e acompanhamento médico próximo.
Hoje a endocrinologia dispõe de medicações que atuam justamente naqueles mecanismos biológicos que defendem o peso elevado, ajudando a regular a fome e a saciedade. Elas não substituem os hábitos saudáveis, mas podem ser grandes aliadas quando bem prescritas. A decisão sobre usar ou não uma medicação é sempre clínica, criteriosa e personalizada. Não existe receita única que sirva para todos.
É importante também entender que tratar a obesidade vai muito além da estética. Quando cuidamos dessa doença de forma adequada, reduzimos o risco de diabetes tipo 2, melhoramos o perfil de colesterol em quem tem dislipidemia, aliviamos sobrecargas nas articulações e cuidamos da saúde cardiovascular. O foco principal é sempre a sua saúde e a sua qualidade de vida, não um número arbitrário na balança.
Como funciona o acompanhamento na minha prática clínica?
Atendo de forma presencial em Vitória, no Espírito Santo, e também por telemedicina, atendendo pacientes em todo o Brasil e no exterior. Acredito que o cuidado de longo prazo é o que realmente transforma a vida de quem convive com obesidade. Por isso, valorizo tanto os programas de acompanhamento, em que caminhamos juntas ao longo do tempo, ajustando metas, celebrando avanços e enfrentando dificuldades sem julgamentos.
Nas consultas, que duram cerca de uma hora, faço uma anamnese completa do seu estilo de vida. Avalio a composição corporal com equipamentos específicos no atendimento presencial. Nos atendimentos a distância, utilizamos aplicativos, fotos e medidas para estimar a composição corporal e garantir parâmetros objetivos mesmo à distância. Dessa forma, conseguimos acompanhar a evolução de maneira concreta, e não apenas pelo peso isolado.
Minha abordagem coloca você como protagonista. Definimos metas de ação possíveis, pequenas mudanças de hábitos que, somadas, geram resultados consistentes. Não acredito em terrorismo nutricional nem em promessas de emagrecimento rápido e mágico. Acredito em ciência, em acolhimento e em um caminho que você consiga sustentar de verdade. A medicina do estilo de vida e o emagrecimento sustentável andam juntos quando há respeito pela individualidade e pela história de cada paciente.
E quando a obesidade vem acompanhada de outras condições?
É muito comum que a obesidade venha junto de outras questões hormonais e metabólicas. Mulheres com síndrome dos ovários policísticos, conhecida como SOP, frequentemente enfrentam dificuldade adicional para perder peso devido à resistência à insulina. Quem está na menopausa também observa mudanças na composição corporal e no metabolismo, que merecem atenção e, em alguns casos, avaliação sobre tratamento hormonal individualizado.
Distúrbios da tireoide, como o hipotireoidismo e a tireoidite de Hashimoto, igualmente influenciam o peso e o bem-estar. Por isso, antes de qualquer julgamento, é fundamental investigar o que está acontecendo no organismo. Como endocrinologista, é justamente esse olhar integrado que me permite tratar a raiz das questões, e não apenas os sintomas. Cada pessoa é única, e o plano de cuidado precisa refletir essa singularidade.
Vale ainda lembrar que a obesidade pode coexistir com outras condições, como o lipedema, que tenho grande experiência em acompanhar. São doenças diferentes, com mecanismos próprios, mas que muitas vezes aparecem juntas e exigem um olhar atento para serem corretamente identificadas e tratadas.
Como abandonar a culpa e recomeçar com leveza?
Se existe uma mensagem que gostaria que você levasse deste texto, é esta: você não falhou. Você lutou contra uma doença complexa, muitas vezes sozinha e sem orientação adequada. Reconhecer a obesidade como doença não é uma desculpa, mas o ponto de partida para um cuidado digno e eficaz. A partir do momento em que entendemos o que realmente está acontecendo no corpo, conseguimos agir com estratégia e compaixão.
O recomeço não precisa ser radical. Ele pode começar com uma noite de sono melhor, uma refeição mais nutritiva, uma caminhada possível, uma conversa franca com um médico que te escute de verdade. Pequenos passos, sustentados ao longo do tempo, constroem grandes transformações. E você não precisa fazer isso sozinha.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi elaborado com base em evidências científicas atuais e revisado por mim, Dra. Roberta Portugal, endocrinologista com atuação em atendimento humanizado e medicina do estilo de vida. As informações aqui apresentadas seguem referências reconhecidas, garantindo segurança e responsabilidade ética. Entre as bases utilizadas, destaco:
- Diretrizes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) sobre o manejo da obesidade.
- Posicionamentos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) sobre doenças metabólicas.
- Recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre obesidade como doença crônica.
- Princípios do International Board of Lifestyle Medicine (IBLM) e do American College of Lifestyle Medicine (ACLM).
- Minha formação como endocrinologista (CRM/ES 13.643 | RQE 8807), com dupla titulação em Endocrinologia Pediátrica (RQE 8808) e Clínica Médica (RQE 8806), além de pós-graduação em Nutrologia e certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM.
Esses cuidados garantem que você receba informações seguras, éticas e atualizadas para apoiar o seu tratamento.
Perguntas frequentes sobre obesidade
A obesidade é mesmo uma doença ou apenas um fator de risco?
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica pela OMS e por sociedades médicas como a ABESO. Ela também funciona como fator de risco para outras condições, mas é, em si, uma doença que exige tratamento e acompanhamento.
Emagrecer rápido é saudável?
Perdas de peso muito rápidas geralmente não são sustentáveis e podem favorecer o reganho. O ideal é um processo gradual, com mudanças de hábitos consistentes e acompanhamento médico, priorizando a saúde acima da velocidade.
Quem tem obesidade precisa sempre usar medicação?
Não necessariamente. A base do tratamento são as mudanças no estilo de vida. A medicação pode ser indicada em alguns casos, sempre de forma criteriosa e individualizada, como ferramenta de apoio.
Hormônios podem dificultar o emagrecimento?
Sim. Alterações na tireoide, resistência à insulina, síndrome dos ovários policísticos e mudanças da menopausa podem influenciar o peso. Por isso, a avaliação endocrinológica é tão importante.
É possível tratar a obesidade por telemedicina?
Sim. A consulta online com endocrinologista permite uma avaliação completa do estilo de vida, com acompanhamento próximo e uso de recursos para estimar a composição corporal, mesmo a distância.
Vamos dar o primeiro passo juntas?
Se você está cansada de dietas frustrantes, do efeito sanfona e do peso da culpa, quero que saiba que existe um caminho diferente. Um caminho baseado em ciência, respeito e acolhimento, em que você não será julgada e nem deixada sozinha. Trato a obesidade como a doença séria que ela é, com a seriedade que ela merece e com a empatia que você precisa.
Se deseja um tratamento responsável, sem terrorismo e com suporte médico de verdade, convido você a agendar sua consulta comigo, presencialmente em Vitória ou por telemedicina, de onde estiver. Sou a Dra. Roberta Portugal, endocrinologista (CRM/ES 13.643 | RQE 8807), e será uma honra caminhar ao seu lado para devolver sua qualidade de vida e sua relação saudável com o próprio corpo.



