Você já saiu de uma consulta ouvindo que a dor nas suas pernas era “apenas excesso de peso”? Já tentou inúmeras dietas e viu suas pernas continuarem pesadas, doloridas e marcadas por hematomas que aparecem ao menor toque? Se você se identificou, talvez esteja na hora de entender que o seu sofrimento tem um nome e que existe tratamento para lipedema capaz de devolver conforto, mobilidade e autoestima. Eu sei o quanto é frustrante não ser ouvida, porque, além de endocrinologista, eu também sou portadora de lipedema. Por isso, escrevi este artigo para caminhar ao seu lado e mostrar que o cuidado certo muda tudo.
Ao longo de mais de 20 anos de medicina, percebi que muitas mulheres chegam ao meu consultório exaustas, culpadas e descrentes. Não vou aqui prometer soluções mágicas, porque elas não existem. O que existe é ciência, acolhimento e um plano de acompanhamento que respeita o seu corpo e a sua história. Vamos conversar sobre isso?
O que é o lipedema e por que ele é tão confundido com obesidade?
O lipedema é uma doença crônica, predominantemente feminina, que envolve um acúmulo desproporcional de gordura, geralmente nas pernas, quadris e, às vezes, nos braços. Por muito tempo ele foi tratado apenas como “gordura localizada”, mas hoje sabemos que se trata de algo bem mais complexo.
Um ponto importante e pouco divulgado é que o lipedema não é uma doença do tecido adiposo isoladamente: ele é, na verdade, uma doença do tecido conjuntivo, na qual a gordura é um dos principais tecidos acometidos. Isso significa que não estamos falando apenas de “mais células de gordura”. Há mais inflamação, mais fibrose, maior flacidez, frouxidão dos ligamentos e até um risco maior de complicações ortopédicas ao longo da vida.
Essa é uma das razões pelas quais o lipedema e a obesidade são doenças diferentes. Uma não se transforma na outra. Contudo, é extremamente frequente que as duas coexistam. O acúmulo de gordura característico do lipedema e os sintomas associados, como dor e sensação de peso nas pernas, podem levar a deformidades e a maior sedentarismo. Esses fatores, por sua vez, podem contribuir para o ganho de peso. Ou seja: são condições distintas, mas que muitas vezes andam juntas.
Quais são os principais sintomas do lipedema?
A dor é o sintoma mais comum, mas é importante saber que ela não está presente em todos os casos. Estudos indicam que cerca de 86% das pacientes relatam dor, o que significa que existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% das mulheres. A ausência de dor, portanto, não exclui o diagnóstico.
Por outro lado, é fundamental compreender que precisa haver sintomas para considerarmos o lipedema. Mulheres que apenas apresentam uma distribuição de gordura desproporcional, mas sem nenhum sintoma, não são, necessariamente, portadoras da doença. Entre as queixas que costumo investigar nas consultas, destaco:
- Dor, sensibilidade ou desconforto nas pernas, muitas vezes ao toque;
- Sensação de peso e cansaço nos membros inferiores;
- Tendência a hematomas frequentes, mesmo sem grandes traumas;
- Inchaço que piora ao longo do dia;
- Desproporção entre a parte superior do corpo e as pernas;
- Pele com aspecto irregular e maior flacidez.
Outro mito que faço questão de esclarecer: o lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Embora seja mais comumente associado ao excesso de peso, mulheres magras podem sim ter lipedema e, muitas vezes, são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para o diagnóstico.
O lipedema pode acontecer em homens?
Esta é uma dúvida que aparece com frequência. O lipedema é uma condição predominantemente feminina, e o seu surgimento em homens é algo extremamente raro. Quando ocorre, geralmente está associado a problemas hormonais ou a outras patologias específicas. Por isso, quando falo de acolhimento e identificação, penso especialmente nas mulheres, que representam a imensa maioria das pacientes.
Como é feito o diagnóstico do lipedema?
O diagnóstico do lipedema é, antes de tudo, clínico. Isso quer dizer que ele depende de uma escuta atenta, de uma anamnese detalhada e de um exame físico cuidadoso. Nas minhas consultas, que duram cerca de uma hora, eu reservo tempo para ouvir a sua história, entender quando os sintomas começaram, como evoluíram e de que forma impactam o seu dia a dia.
Para complementar a avaliação, normalmente solicito apenas exames como o ultrassom ou a densitometria, que ajudam a entender a composição corporal e a distribuição dos tecidos. Não há necessidade de procedimentos invasivos ou de uma longa lista de exames complexos para confirmar a suspeita.
Quanto a quem pode diagnosticar, é importante esclarecer: médicos como angiologistas, cirurgiões vasculares, cirurgiões plásticos e endocrinologistas podem fazer o diagnóstico, desde que tenham, de fato, experiência na doença. A experiência prática faz toda a diferença, porque o lipedema ainda é subdiagnosticado justamente por falta de familiaridade de muitos profissionais com seus sinais.
Existe cura para o lipedema? Como funciona o tratamento?
Preciso ser honesta com você, porque acredito em uma medicina sem terrorismo e sem falsas promessas: não existe tratamento mágico para o lipedema, nem um único tratamento isolado altamente eficaz. O que existe, e isso é muito importante, são diversas pequenas intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom.
É exatamente por isso que o acompanhamento de longo prazo, com alguém que realmente entenda do tema, faz tanta diferença. Cada paciente é única, e o que funciona para uma pode não fazer sentido para outra. Meu papel é justamente desenhar, junto com você, um conjunto de estratégias que se encaixem na sua realidade. Entre os pilares do tratamento, costumo trabalhar com:
- Alimentação anti-inflamatória: com redução de ultraprocessados, álcool, excesso de sal, açúcar e gorduras de má qualidade, valorizando alimentos naturais e nutritivos;
- Exercícios físicos: fundamentais no manejo do lipedema, mas sempre com atenção à intensidade, ao volume e à adaptação individual, evitando alto impacto;
- Cuidados com a saúde emocional, o sono e o estresse: pilares da medicina do estilo de vida que utilizo na minha prática como endocrinologista;
- Tratamentos complementares: quando indicados, podem incluir abordagens de fisioterapia e outras medidas avaliadas caso a caso.
Sobre os exercícios, faço questão de derrubar um mito comum: atividades na água são excelentes, mas definitivamente não são as únicas recomendadas. Musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas também são ótimas opções, desde que respeitem a sua individualidade. O segredo está no equilíbrio e na progressão cuidadosa, não em treinos extenuantes.
Por que o acompanhamento contínuo faz tanta diferença?
O lipedema é uma condição crônica, e isso significa que ele não se resolve em uma única consulta ou com uma orientação pontual. A grande virada acontece quando a paciente passa a ter um acompanhamento estruturado, próximo e contínuo. É nesse vínculo que conseguimos ajustar estratégias, comemorar pequenas vitórias e enfrentar os desafios juntas.
Nos meus programas de acompanhamento, ofereço consultas de cerca de uma hora, com anamnese completa do seu estilo de vida, avaliação da composição corporal e um contato próximo ao longo da jornada. Não se trata de entregar uma dieta na mão e mandar a paciente embora. Trata-se de colocá-la como protagonista do próprio cuidado, com metas reais e factíveis.
Quando o lipedema vem acompanhado de obesidade, o cuidado precisa ser ainda mais cuidadoso. Vale lembrar que o risco metabólico do lipedema isolado tende a ser menor do que o da obesidade. No entanto, quando existe obesidade associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade. Por isso, como endocrinologista, avalio o conjunto da sua saúde, e não apenas as suas pernas.
É possível fazer o tratamento para lipedema por telemedicina?
Sim, e essa é uma das grandes alegrias da minha rotina atual. Atendo presencialmente em Vitória, no Espírito Santo, mas também acompanho pacientes de todo o Brasil e do exterior por meio da telemedicina. O tratamento para lipedema por telemedicina permite que mulheres que não têm acesso a profissionais com experiência na doença em sua cidade também recebam um cuidado de qualidade.
Nas consultas à distância, utilizamos aplicativos, fotos e medidas para estimar a composição corporal e garantir parâmetros objetivos mesmo sem o contato presencial. Dessa forma, conseguimos manter o mesmo nível de atenção, acolhimento e seguimento que ofereço no consultório.
O plano de saúde cobre o tratamento para lipedema?
Essa é uma pergunta delicada, e prefiro responder com transparência. Ainda existe alguma dificuldade na cobertura dos planos de saúde para o lipedema. O código que temos atualmente é o CID-11, que ainda não está sendo utilizado na prática clínica e deve começar a ser adotado a partir de 2027. Quando isso acontecer, a tendência é que tudo fique mais fácil.
De maneira geral, consultas, exames solicitados e alguns tratamentos podem sim ser cobertos pelos planos. Determinados tratamentos, como a fisioterapia, em alguns casos também conseguem cobertura. Em algumas situações, são necessários laudos e relatórios para que a paciente consiga uma cobertura específica, documentos que faço questão de fornecer com responsabilidade sempre que indicado.
Como a medicina do estilo de vida se conecta ao cuidado com o lipedema?
Como endocrinologista, com tripla titulação e certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM, eu utilizo as ferramentas e os pilares dessa abordagem na minha prática clínica diária. Isso significa olhar para a paciente de forma integral: alimentação, atividade física, sono, gerenciamento do estresse, relações sociais e o cuidado com substâncias nocivas.
No lipedema, essa visão é especialmente valiosa, porque a doença não se resolve apenas com restrições severas ou com a obsessão pelo número da balança. Quando trabalhamos a inflamação, o bem-estar emocional e a movimentação do corpo de forma sustentável, os sintomas tendem a melhorar e a qualidade de vida aumenta. Com o tratamento adequado, muitas vezes é possível conviver com menos dor, mais leveza e mais autonomia.
Faço questão de reforçar: minha especialidade é a endocrinologia, e a medicina do estilo de vida, assim como o conhecimento da nutrologia adquirido na pós-graduação, são ferramentas que enriquecem o cuidado. É a ciência aliada ao acolhimento que transforma a sua relação com o próprio corpo.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi elaborado com base em diretrizes e fontes científicas confiáveis, sendo escrito e revisado por mim, Dra. Roberta Portugal (CRM/ES 13.643 | RQE 8807 | RQE 8808 | RQE 8806), endocrinologista com grande experiência na área de lipedema e portadora da própria condição. As principais bases utilizadas foram:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM);
- Recomendações da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO);
- Orientações do International Board of Lifestyle Medicine (IBLM) e do American College of Lifestyle Medicine (ACLM);
- Diretrizes internacionais sobre lipedema e publicações científicas indexadas em bases como PubMed e SciELO.
Esse conjunto de referências, somado à minha experiência clínica e pessoal, garante informações seguras, éticas e atualizadas para apoiar o seu cuidado.
Perguntas frequentes sobre o tratamento para lipedema
O lipedema tem cura definitiva?
O lipedema é uma condição crônica e, atualmente, não falamos em cura definitiva. No entanto, com acompanhamento adequado e a combinação de várias estratégias, é possível controlar os sintomas, reduzir a dor e melhorar significativamente a qualidade de vida.
Mulher magra pode ter lipedema?
Sim. O lipedema não é exclusivo de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem ter a doença e, muitas vezes, apresentam sintomas intensos. O peso corporal não é um critério obrigatório para o diagnóstico.
Lipedema sempre dói?
Não. A dor está presente na maioria dos casos, em torno de 86% das pacientes, mas existe lipedema sem dor. Ainda assim, é necessário haver algum sintoma para que o diagnóstico seja considerado.
Lipedema e obesidade são a mesma coisa?
Não. São doenças diferentes, e uma não se transforma na outra. Contudo, elas podem coexistir com frequência, o que torna o acompanhamento com um endocrinologista experiente ainda mais importante.
Quais exames são necessários para diagnosticar o lipedema?
O diagnóstico é principalmente clínico. Para complementar, costumo solicitar apenas exames como ultrassom ou densitometria, sem necessidade de procedimentos invasivos.
Posso tratar o lipedema mesmo morando longe de Vitória?
Sim. Por meio da telemedicina, acompanho pacientes de todo o Brasil e do exterior, utilizando aplicativos, fotos e medidas para avaliar a composição corporal e garantir um cuidado próximo e objetivo.
O próximo passo é seu, mas você não estará sozinha
Se você chegou até aqui, provavelmente já carregou por tempo demais o peso da dor, do descrédito e da frustração. Quero que saiba que entendo profundamente o que você sente, porque também vivo essa realidade. Foi essa vivência pessoal que transformei no meu propósito de cuidar de você com ciência, escuta e respeito.
Meu compromisso não é vender a ideia de perfeição, e sim caminhar ao seu lado em um tratamento responsável, sem culpa e com suporte médico de verdade. Se você deseja iniciar um acompanhamento estruturado para o lipedema, com consultas atenciosas e um plano feito sob medida para a sua história, eu posso ajudar.
Agende sua consulta presencial em Vitória-ES ou por telemedicina comigo, Dra. Roberta Portugal (CRM/ES 13.643 | RQE 8807). Acesse o meu site e dê o primeiro passo rumo à sua qualidade de vida. Vamos juntas.



