Você já tentou dezenas de dietas que só geraram efeito sanfona? Ou sofre com dores nas pernas, inchaço e hematomas inexplicáveis que muitos profissionais disseram ser “apenas gordura” ou falta de esforço da sua parte? A frustração de não ser ouvida, de ter seus sintomas minimizados e de carregar um sentimento de culpa constante é, infelizmente, uma realidade para muitas mulheres. No entanto, o seu sofrimento tem um nome, tem validação científica e, mais importante, tem tratamento. Como endocrinologista em Vitória-ES, com ampla atuação presencial e por telemedicina para todo o Brasil e exterior, dedico minha prática clínica a oferecer um acolhimento verdadeiro, aliando a ciência médica a uma escuta ativa e empática.
A minha vivência como médica endocrinologista me ensinou que o ser humano não pode ser resumido a um número na balança. As doenças metabólicas, o ganho de peso recorrente e as condições crônicas demandam um olhar aprofundado, que vá muito além da simples prescrição de medicamentos ou de dietas altamente restritivas. Eu utilizo ferramentas e bases da medicina do estilo de vida no meu atendimento como endocrinologista justamente para tratar a raiz do problema, colocando a paciente como protagonista da própria saúde. Neste artigo, compartilho meu conhecimento e também minha compreensão pessoal sobre condições que afetam profundamente a qualidade de vida, para que você saiba que não está sozinha nesta jornada.
O que é o lipedema e por que ele causa dor nas pernas?
Durante muito tempo, o lipedema foi subdiagnosticado ou confundido com obesidade comum. Muitas mulheres passam anos ouvindo que precisam emagrecer para que o volume das pernas diminua, submetendo-se a privações severas e rotinas extenuantes que não trazem o resultado esperado. Diferentemente do que muitos imaginam, o lipedema não é apenas uma doença do tecido adiposo; ele é, na verdade, uma doença do tecido conjuntivo, na qual o tecido adiposo é um dos principais acometidos.
Isso significa que não se trata apenas de um maior acúmulo de adipócitos (células de gordura). No lipedema, existe uma inflamação crônica local, acompanhada de maior fibrose, flacidez e frouxidão ligamentar. O tecido conjuntivo perde sua arquitetura normal, o que dificulta a drenagem de líquidos e propicia o surgimento de nódulos dolorosos sob a pele. É essa inflamação e esse encarceramento de terminações nervosas na matriz extracelular fibrosada que geram a dor, o peso nas pernas e a extrema sensibilidade ao toque, justificando a facilidade com que os hematomas aparecem, mesmo após traumas muito leves.
A dor é o sintoma mais comum do lipedema, estando presente em cerca de 86% das pacientes. Isso nos mostra que existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos. Portanto, a ausência de dor não exclui o diagnóstico, mas é imprescindível que existam outros sintomas característicos associados à desproporção corporal, como a sensação de peso extremo ao final do dia, o cansaço desproporcional nas pernas e a presença de nódulos palpáveis. Pacientes com distribuição de gordura desproporcional nos membros inferiores, mas sem absolutamente nenhum sintoma ou desconforto, não são portadoras de lipedema.
Como portadora de lipedema, eu conheço a frustração de tentar comprar botas que não fecham na panturrilha ou de sentir as pernas pesarem como chumbo após um longo dia de trabalho. Transformei essa dor pessoal no meu propósito de cuidar de outras mulheres. Compreendo que a validação desses sintomas é o primeiro passo para a recuperação da autoestima e para a adesão a um plano terapêutico que realmente faça sentido.
Como é feito o diagnóstico de lipedema nas pernas?
A jornada em busca do diagnóstico pode ser longa e permeada por decepções. Muitas pacientes chegam ao consultório após passarem por diversos especialistas que desconheciam a condição. O diagnóstico do lipedema é predominantemente clínico, ou seja, baseia-se em uma anamnese detalhada, na escuta atenta da história da paciente e no exame físico minucioso. Avaliamos a desproporção entre o tronco e os membros, a textura da pele, a presença de nódulos (que muitas vezes se assemelham a grãos de arroz ou ervilhas sob a pele), a sensibilidade e a ausência de acometimento dos pés em fases iniciais.
Apesar de o diagnóstico ser clínico, exames de imagem podem auxiliar, principalmente para descartar outras patologias ou para documentar o padrão de distribuição da gordura. Na minha prática diária, costumo solicitar exames como a ultrassonografia ou a densitometria de corpo inteiro (DEXA), que fornecem informações precisas sobre a composição corporal e a espessura do tecido subcutâneo. É fundamental destacar que o diagnóstico pode ser feito por médicos com grande experiência na área, como cirurgiões vasculares, cirurgiões plásticos e endocrinologistas que dedicam seus estudos a essa condição.
Uma dúvida muito frequente diz respeito à cobertura dos tratamentos pelos planos de saúde. Atualmente, ainda há alguma dificuldade na cobertura integral e específica para o lipedema. O código que temos para o lipedema encontra-se no CID-11, que tem previsão para começar a ser amplamente utilizado na prática clínica a partir de 2027. Quando isso acontecer, a tendência é que a aprovação de procedimentos e terapias fique mais fácil. Contudo, de maneira geral, consultas médicas, exames solicitados e terapias auxiliares, como a fisioterapia, conseguem cobertura. Em algumas situações, a emissão de laudos e relatórios detalhados é necessária para que a paciente garanta seus direitos junto à operadora de saúde.
Qual a diferença entre lipedema e obesidade?
Embora frequentemente confundidas pela sociedade e até por alguns profissionais de saúde, lipedema e obesidade são doenças distintas. Uma não vira a outra. No entanto, é extremamente frequente que as duas condições coexistam na mesma paciente. A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal que traz prejuízos à saúde de forma sistêmica, muitas vezes associada a resistência à insulina, dislipidemia e hipertensão. Já o lipedema tem um padrão de acúmulo de gordura nodular e fibrosa, restrito a membros inferiores (e, algumas vezes, braços), poupando o tronco e os pés em estágios iniciais.
O risco metabólico primário do lipedema tende a ser menor do que o da obesidade isolada. A gordura do lipedema, em sua fase inicial, não costuma estar associada a um aumento direto do colesterol ruim (LDL) ou ao desenvolvimento de diabetes tipo 2 com a mesma agressividade da gordura visceral. Porém, quando existe obesidade associada ao lipedema, o risco metabólico passa a ser o da obesidade. O grande problema é que o acúmulo de gordura do lipedema e a sintomatologia associada (como dores limitantes e peso nas pernas) podem levar a deformidades articulares, aumentando o risco de complicações ortopédicas e favorecendo o sedentarismo. Esse ciclo vicioso agrava o ganho de peso global e piora o quadro metabólico da paciente.
Vale ressaltar um ponto crucial: o lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres obesas. Mulheres magras podem, sim, ter lipedema e, muitas vezes, são extremamente sintomáticas. O ganho de peso ou o excesso de peso global não é uma condição necessária para que seja feito o diagnóstico. Além disso, o lipedema é uma condição predominantemente feminina. A ocorrência em homens é algo extremamente raro e, quando acontece, geralmente está associada a problemas hormonais específicos ou outras patologias subjacentes.
Como funciona o tratamento para lipedema?
Ao receber o diagnóstico, é comum que a paciente busque uma solução rápida e definitiva. No entanto, é meu dever como médica esclarecer que não existe tratamento mágico para o lipedema e não existe um único tratamento que seja altamente eficaz de forma isolada. O que existe é uma série de intervenções que, somadas, proporcionam um resultado muito bom na redução das dores, na melhora do inchaço e na recuperação da mobilidade. Isso justifica a importância de um acompanhamento médico próximo com alguém que tenha grande expertise na área, para desenhar um plano que faça sentido para a rotina e as preferências de cada paciente.
Como endocrinologista, utilizo os pilares da medicina do estilo de vida para modular a inflamação inerente ao lipedema. O manejo envolve estratégias multidisciplinares que incluem controle alimentar, exercícios físicos adequados, terapias compressivas e cuidados com a saúde mental e a qualidade do sono.
Na parte nutricional, evitamos radicalismos e o temido “terrorismo nutricional”. O foco é promover uma alimentação anti-inflamatória baseada em comida de verdade. A literatura médica aponta que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, o álcool, os excessos de sal, os açúcares refinados e as gorduras de má qualidade são fatores amplamente reconhecidos por exacerbarem quadros inflamatórios sistêmicos. Orientamos a redução desses itens, priorizando a ingestão de vegetais, proteínas de alto valor biológico e gorduras saudáveis, promovendo o equilíbrio do metabolismo sem impor sofrimentos desnecessários.
A atividade física é parte fundamental do tratamento do lipedema, não apenas para o controle de peso, mas para a melhora do retorno venoso e linfático. No entanto, os exercícios devem ter controle de intensidade e de volume. É preciso avaliar a adaptação individual de cada paciente e evitar atividades de alto impacto que sobrecarreguem as articulações já fragilizadas. Embora os exercícios na água (como a hidroginástica ou natação) sejam excelentes devido à pressão hidrostática, eles definitivamente não são os únicos recomendados. Musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas são opções formidáveis, desde que bem orientadas. O importante é o movimento constante e o fortalecimento muscular.
Como tratar a obesidade e a dislipidemia sem dietas restritivas?
O tratamento da obesidade, bem como de comorbidades associadas, como a dislipidemia (alteração nos níveis de colesterol e triglicerídeos) e o diabetes tipo 2, exige uma mudança de paradigma. Pacientes que chegam ao meu consultório, na faixa dos 30 aos 55 anos, costumam relatar exaustão. Estão cansados de investir energia e expectativas em dietas da moda que promovem uma rápida perda de peso, seguida por um reganho ainda mais expressivo — o clássico efeito sanfona. Esse ciclo gera não apenas prejuízos metabólicos, como a resistência à insulina, mas também um profundo desgaste emocional e baixa autoestima.
O meu programa de acompanhamento para emagrecimento sustentável baseia-se na compreensão de que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante. Não a tratamos culpando o paciente pela falta de “força de vontade”. A ciência já comprovou que o metabolismo humano responde à restrição calórica severa com mecanismos de defesa, aumentando a fome e reduzindo o gasto energético. Por isso, a privação extrema está fadada ao fracasso no longo prazo.
No consultório, eu aplico ferramentas da medicina do estilo de vida aliadas à endocrinologia tradicional. Isso significa que, além de avaliar a necessidade e prescrever medicações bem indicadas e seguras para auxiliar no controle do apetite e na melhora do perfil metabólico, nós estruturamos uma intervenção nos hábitos. Avaliamos detalhadamente a qualidade do sono, pois noites mal dormidas alteram a produção de hormônios como a grelina e a leptina, desregulando a saciedade. Investigamos o manejo do estresse, uma vez que o cortisol cronicamente elevado favorece o acúmulo de gordura abdominal. Discutimos a introdução gradativa de atividades prazerosas e a construção de uma base alimentar nutritiva, sustentável e possível dentro da realidade de cada um.
A abordagem inclui consultas longas, com duração de cerca de uma hora, para que haja tempo de ouvir, entender o contexto familiar e de trabalho da paciente e estabelecer metas de ação palpáveis. O paciente assume o papel de protagonista do tratamento, engajando-se ativamente nas decisões terapêuticas.
É possível realizar consulta online com endocrinologista?
Com o avanço da tecnologia e a regulamentação das práticas médicas a distância, a telemedicina revolucionou a forma como cuidamos da saúde. Se você não reside em Vitória-ES, saiba que é perfeitamente possível realizar um acompanhamento de excelência por meio da consulta online com endocrinologista. Há mais de seis anos, dedico-me de forma exclusiva ao atendimento particular, oferecendo tanto a modalidade presencial quanto a telemedicina para pacientes de diversas regiões do Brasil e até do exterior.
As consultas por telemedicina mantêm o mesmo padrão de acolhimento e aprofundamento da modalidade presencial. Nossos encontros virtuais também duram cerca de uma hora, permitindo uma anamnese completa. Para garantir a eficácia do tratamento e a mensuração de resultados mesmo à distância, nós utilizamos aplicativos específicos de saúde, fotografias padronizadas e medidas corporais para estimar a composição corporal com segurança. Dessa forma, garantimos parâmetros objetivos de evolução sem a necessidade do contato físico direto. No atendimento presencial em Vitória-ES, por exemplo, utilizo tecnologias de bioimpedância de alta precisão (InBody 370) para complementar a avaliação corporal.
Seja para o tratamento da obesidade, do lipedema, ou ainda para o acompanhamento da saúde hormonal feminina (como a síndrome dos ovários policísticos, distúrbios da tireoide, incluindo a Doença de Hashimoto, e a transição para a menopausa), o atendimento a distância mostrou-se uma ferramenta incrivelmente eficaz e capaz de estreitar laços entre médico e paciente, facilitando o acesso a um tratamento especializado e humanizado.
Perguntas Frequentes sobre Lipedema e Obesidade
Homens podem ter lipedema?
O lipedema é uma condição predominantemente feminina. É extremamente raro que homens desenvolvam o lipedema. Nas raras exceções em que ocorre, geralmente está associado a problemas hormonais prévios ou outras patologias concomitantes que alteram o balanço endócrino.
Mulheres magras podem ter lipedema?
Sim, sem dúvida. O lipedema não é uma condição restrita a mulheres obesas. Mulheres magras podem apresentar um quadro de lipedema clássico, com desproporção evidente nas pernas, nódulos palpáveis e serem extremamente sintomáticas, sofrendo com dor e inchaço constantes.
O plano de saúde cobre o tratamento para lipedema?
Ainda existe certa dificuldade burocrática, pois a classificação oficial do lipedema consta no CID-11, cuja implementação abrangente está prevista para a partir de 2027. Apesar disso, muitas pacientes conseguem cobertura para consultas, exames diagnósticos (como ultrassonografia) e terapias como a fisioterapia vascular. Em casos pontuais, são elaborados laudos médicos consistentes para auxiliar a paciente na busca por seus direitos junto aos planos de saúde.
Qualquer exercício físico serve para quem tem lipedema?
Os exercícios são fundamentais, mas precisam de orientação. O ideal é controlar a intensidade, o volume e evitar modalidades de alto impacto que possam agravar dores articulares. Exercícios aquáticos são maravilhosos, mas musculação, pilates, yoga, caminhadas e uso da bicicleta também são opções excelentes, desde que respeitem o limiar de adaptação da paciente.
Como a medicina do estilo de vida atua no emagrecimento?
O conhecimento baseado na medicina do estilo de vida atua nos seis pilares da saúde: alimentação adequada, movimento regular, sono de qualidade, manejo do estresse, manutenção de bons relacionamentos e controle do uso de substâncias tóxicas. Ao integrar essas ferramentas à endocrinologia, tratamos a causa dos distúrbios metabólicos, promovendo um emagrecimento real e duradouro sem focar apenas no sintoma.
Qual o médico ideal para acompanhar o crescimento de crianças com obesidade?
O profissional mais indicado é o especialista em endocrinologia pediátrica. Em meu consultório, atendo crianças a partir de 5 anos de idade, oferecendo acompanhamento seguro para obesidade infantil, distúrbios da puberdade e doenças da tireoide. A abordagem pediátrica exige leveza e muito cuidado para não gerar estigmas, fobias alimentares ou culpar a criança pelo ganho de peso, envolvendo toda a família na mudança do estilo de vida de forma lúdica e positiva.
Por que confiar neste conteúdo?
- Este artigo foi redigido com rigor médico, utilizando as mais recentes diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
- As informações sobre o controle do peso e metabolismo seguem os protocolos validados pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO).
- Os pilares de saúde aplicados derivam dos conceitos chancelados pelo International Board of Lifestyle Medicine (IBLM).
- Todo o conteúdo reflete a expertise prática da Dra. Roberta Portugal (CRM/ES 13.643 | RQE 8807 – Endocrinologia | RQE 8808 – Endocrinologia Pediátrica | RQE 8806 – Clínica Médica), profissional com mais de 20 anos de medicina, oferecendo informações seguras, éticas e livres de julgamentos para o seu cuidado diário.
Dê o primeiro passo para resgatar sua qualidade de vida
Compreendo que a caminhada até aqui pode ter sido exaustiva. Lidar com dores, com o efeito sanfona, com a sensação de não pertencer ao próprio corpo e com o descrédito de outros profissionais deixa marcas profundas. Mas o seu diagnóstico não é o seu destino, e você não precisa continuar enfrentando esses desafios de maneira solitária e sem direcionamento adequado. Como médica, meu compromisso é fornecer a você as ferramentas mais avançadas da endocrinologia, unidas ao cuidado essencial com a sua rotina e as suas emoções, para construirmos resultados reais.
Se você busca um acompanhamento responsável, que respeita o seu tempo e não trabalha com a culpa, convido você a conhecer meus programas de acompanhamento de longo prazo. Nós avaliaremos sua saúde de forma integral, respeitando suas particularidades. Acesse o site da Dra. Roberta Portugal e agende a sua consulta presencial em Vitória-ES ou opte pelo nosso atendimento via telemedicina. Vamos, juntas, devolver a autonomia, a leveza e a saúde que você merece.



