Você sempre sentiu que suas pernas tinham um comportamento diferente do resto do corpo, mas foi chegando perto dos 45, 50 anos que tudo pareceu piorar? O lipedema e a menopausa têm uma relação próxima, e não é coincidência que tantas mulheres relatem mais dor, mais inchaço e mais hematomas justamente nessa fase da vida. Se você já ouviu que era “só gordura”, que “bastava fechar a boca” ou que precisava “se aceitar mais”, eu quero que saiba de uma coisa: o seu sofrimento tem nome, tem explicação científica e, muitas vezes, com o tratamento adequado, é possível recuperar bastante qualidade de vida.
Sou a Dra. Roberta Portugal, endocrinologista (CRM/ES 13.643 | RQE 8807), e dedico boa parte da minha prática clínica ao cuidado de mulheres com lipedema. Falo disso não apenas como médica, mas também como alguém que vive essa condição. Por isso, entendo de perto a frustração de bater em muitas portas e não ser ouvida. Neste artigo, quero explicar, de forma leve e sem julgamentos, por que as pernas tendem a piorar na menopausa e o que você pode fazer a respeito.
O que é lipedema, afinal?
Antes de falar da menopausa, preciso esclarecer um ponto que muda tudo: o lipedema não é simplesmente um “excesso de gordura” nas pernas. Diferente do que muitos pensam, ele não é uma doença do tecido adiposo isolado, mas sim uma doença do tecido conjuntivo, na qual o tecido adiposo é um dos principais acometidos.
Na prática, isso significa que não estamos falando apenas de mais células de gordura acumuladas. No lipedema, existe mais inflamação, mais fibrose, mais flacidez, maior frouxidão dos ligamentos e um risco aumentado de complicações nas articulações ao longo do tempo. É uma condição complexa, que envolve o corpo de maneira muito mais ampla do que a aparência sugere.
O lipedema costuma se manifestar com um acúmulo de gordura desproporcional, geralmente nas pernas, quadris e, às vezes, nos braços, enquanto o tronco permanece mais “fino”. Muitas mulheres relatam a sensação de ter duas metades de corpo que não combinam. Além disso, há sintomas típicos que diferenciam o lipedema de uma simples questão estética.
Quais são os principais sintomas do lipedema?
O sintoma mais comum é a dor, que pode variar de um incômodo leve a uma sensação de peso e sensibilidade intensa ao toque. É importante dizer, porém, que a dor está presente em cerca de 86% das pacientes. Ou seja, existem mulheres com lipedema sem dor, em torno de 14% dos casos. A ausência de dor, portanto, não exclui o diagnóstico.
Por outro lado, é preciso haver sintomas. Uma mulher que apenas tem uma distribuição de gordura diferente, mas sem nenhum sintoma, não necessariamente é portadora de lipedema. Entre os sinais mais frequentes, destaco:
- Dor, sensibilidade ou sensação de peso nas pernas;
- Facilidade para desenvolver hematomas, mesmo sem grandes traumas;
- Inchaço que tende a piorar ao longo do dia;
- Desproporção entre a parte inferior do corpo e o tronco;
- Pele com aspecto irregular e sensação de nódulos ao toque.
Um detalhe importante: o lipedema não é exclusivo de mulheres com obesidade. Mulheres magras também podem ter lipedema, e muitas vezes são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para o diagnóstico. Por isso, é um erro acreditar que a doença só atinge quem está acima do peso.
Por que o lipedema piora na menopausa?
Aqui chegamos ao ponto central deste artigo. O lipedema tem uma relação estreita com os hormônios femininos. Não por acaso, ele costuma surgir ou se agravar em três momentos marcados por grandes mudanças hormonais: a puberdade, a gestação e a menopausa.
Durante a transição para a menopausa, ocorre uma queda importante na produção de estrogênio. Essa mudança hormonal influencia a forma como o corpo distribui a gordura, como lida com a retenção de líquidos e, inclusive, o nível de inflamação dos tecidos. Para muitas mulheres, é exatamente nesse período que os sintomas do lipedema se intensificam.
Além disso, a menopausa traz outras alterações que podem agravar o quadro. A tendência natural de redistribuição da gordura, a perda de massa muscular associada à idade, as mudanças no sono e no metabolismo e o impacto emocional dessa fase formam um conjunto que pode deixar as pernas mais doloridas, pesadas e inchadas. É como se vários fatores se somassem ao mesmo tempo.
Entender essa relação é libertador para muitas pacientes. Quando você compreende que a piora não é fruto de “falta de força de vontade”, mas de um processo biológico real, fica mais fácil buscar ajuda sem culpa e tratar a questão de forma adequada.
Lipedema e obesidade são a mesma coisa?
Esta é uma das dúvidas mais frequentes no consultório, e a resposta é clara: não. Lipedema e obesidade são doenças diferentes. Uma não se transforma na outra. No entanto, é extremamente comum que as duas coexistam.
O próprio lipedema, com a dor e o peso nas pernas, pode levar ao sedentarismo e a deformidades que dificultam a movimentação. Esse ciclo favorece o ganho de peso ao longo do tempo. Por isso, muitas vezes encontramos as duas condições juntas, cada uma exigindo atenção específica.
Em relação ao risco metabólico, o lipedema isolado tende a apresentar um risco menor do que a obesidade. Contudo, quando existe obesidade associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade, com maior chance de alterações como diabetes tipo 2 e dislipidemia. É mais um motivo para um acompanhamento cuidadoso, que olhe para o conjunto da sua saúde, especialmente na menopausa, quando esses riscos naturalmente aumentam.
Como é feito o diagnóstico do lipedema?
O diagnóstico do lipedema é fundamentalmente clínico. Isso significa que ele se baseia na sua história, nos seus sintomas e em um exame físico cuidadoso. Em uma consulta com escuta atenta, consigo identificar os sinais característicos e diferenciar o lipedema de outras condições, como o inchaço comum ou o linfedema.
Para complementar a avaliação, costumo solicitar apenas exames simples, como ultrassom ou densitometria, que ajudam a caracterizar melhor o tecido e a composição corporal. Não há necessidade de exames complexos ou invasivos para chegar ao diagnóstico na maioria dos casos.
Vale destacar quem pode diagnosticar o lipedema. Médicos como vasculares, cirurgiões plásticos e endocrinologistas podem fazer o diagnóstico, desde que tenham realmente experiência com a doença. A experiência faz toda a diferença, porque o lipedema ainda é muito subdiagnosticado e frequentemente confundido com “apenas gordura localizada”.
É importante lembrar também que o lipedema é uma condição predominantemente feminina. Em homens, ele é extremamente raro, e, quando ocorre, geralmente está associado a problemas hormonais ou outras patologias.
O plano de saúde cobre o tratamento do lipedema?
Essa é uma preocupação legítima e frequente. Ainda existe alguma dificuldade na cobertura pelos planos de saúde. O código que temos atualmente é o CID-11, que ainda não está sendo utilizado na prática clínica e deve começar a ser aplicado a partir de 2027. Quando isso acontecer, a tendência é que o processo fique mais fácil.
Por ora, algumas pacientes ainda enfrentam entraves com essa cobertura. De maneira geral, porém, consultas, exames solicitados e alguns tratamentos podem sim ser cobertos pelos planos. A fisioterapia, em determinados casos, também consegue cobertura. Em algumas situações, são necessários laudos e relatórios médicos detalhados para que a paciente obtenha a autorização para um tratamento específico.
Existe tratamento para o lipedema na menopausa?
Quero ser honesta com você: não existe tratamento mágico para o lipedema, nem um único tratamento altamente eficaz que resolva tudo sozinho. O que existe, e isso é muito importante, são várias pequenas intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom. É justamente por isso que o acompanhamento com alguém que entenda do assunto faz tanta diferença: para escolher, junto com você, as opções que realmente fazem sentido para o seu caso.
Como endocrinologista, utilizo ferramentas da medicina do estilo de vida e conhecimentos da nutrologia na minha prática clínica para construir um plano individualizado. Alguns pilares que considero em cada tratamento são:
- Alimentação anti-inflamatória: reduzindo ultraprocessados, álcool e os excessos de sal, açúcar e gorduras, priorizando alimentos naturais que ajudam a controlar a inflamação.
- Exercício físico bem orientado: os exercícios são fundamentais no manejo do lipedema, mas precisam de controle de intensidade e volume, respeitando a adaptação individual e evitando o alto impacto. Atividades na água são excelentes, mas definitivamente não são as únicas recomendadas. Musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas também são ótimas opções.
- Cuidado com o sono e o estresse: dois fatores que impactam diretamente a inflamação e o bem-estar, especialmente na menopausa.
- Manejo hormonal adequado: na menopausa, avaliar de forma individualizada a saúde hormonal faz parte de um cuidado completo.
- Abordagem da dor e do inchaço: com medidas que podem incluir fisioterapia e outras estratégias específicas conforme o caso.
A ideia não é impor restrições severas ou promessas irreais, mas construir metas factíveis, que caibam na sua rotina e que você consiga sustentar ao longo do tempo. Afinal, o lipedema é uma condição crônica, e o cuidado precisa ser contínuo e acolhedor.
Como funciona o meu atendimento?
Eu atendo presencialmente em Vitória-ES e também por telemedicina, o que me permite acompanhar mulheres de todo o Brasil e também brasileiras que vivem no exterior. No tratamento à distância, utilizamos aplicativos, fotos e medidas para estimar a composição corporal e garantir parâmetros objetivos mesmo sem a presença física.
Minhas consultas duram cerca de uma hora, porque acredito que escutar a sua história com calma é parte essencial do tratamento. Faço uma anamnese completa do seu estilo de vida: alimentação, sono, nível de estresse, rotina e o que te dá prazer no dia a dia. Nos atendimentos presenciais, também utilizo a avaliação de composição corporal por bioimpedância para ter parâmetros objetivos.
Como também sou portadora de lipedema, transformei essa vivência pessoal em propósito. Sei o que é olhar para as próprias pernas e sentir que o corpo não respondia como deveria. Por isso, meu compromisso é caminhar ao seu lado, sem terrorismo e sem culpa, colocando você como protagonista do seu próprio cuidado.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi elaborado com base em diretrizes e fontes científicas reconhecidas, sendo redigido pela Dra. Roberta Portugal (CRM/ES 13.643 | RQE 8807 em Endocrinologia, RQE 8808 em Endocrinologia Pediátrica e RQE 8806 em Clínica Médica), com o objetivo de oferecer informações seguras, éticas e atualizadas. As bases utilizadas incluem:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM);
- Orientações da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO);
- Diretrizes internacionais sobre o manejo do lipedema;
- Princípios da medicina do estilo de vida, com certificação internacional pelo International Board of Lifestyle Medicine (IBLM);
- A experiência clínica da Dra. Roberta Portugal no atendimento focado em pacientes com lipedema, aliada à sua vivência pessoal com a condição.
Perguntas frequentes sobre lipedema e menopausa
A menopausa pode causar lipedema?
A menopausa não causa o lipedema do nada, mas é um dos períodos de grande mudança hormonal em que a doença pode surgir ou se agravar, devido à queda do estrogênio e às demais alterações dessa fase.
Mulher magra pode ter lipedema?
Sim. O lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem tê-lo e, muitas vezes, são bastante sintomáticas. O ganho de peso não é necessário para o diagnóstico.
Lipedema sempre dói?
Não. A dor é o sintoma mais comum, presente em cerca de 86% das pacientes, mas existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos. Por outro lado, para que seja lipedema, é preciso haver algum sintoma.
O lipedema tem cura?
O lipedema é uma condição crônica e não há um tratamento mágico. Contudo, com várias intervenções combinadas e acompanhamento adequado, muitas vezes é possível reduzir sintomas e recuperar bastante qualidade de vida.
Posso tratar o lipedema por telemedicina?
Sim. Boa parte do acompanhamento do lipedema envolve orientação sobre estilo de vida, manejo da dor e ajustes individualizados, o que pode ser conduzido com segurança por telemedicina, utilizando aplicativos, fotos e medidas para avaliação da composição corporal.
Homens podem ter lipedema?
É extremamente raro. O lipedema é predominantemente feminino e, quando aparece em homens, geralmente está associado a problemas hormonais ou outras patologias.
Um convite para cuidar de você
Se você passou anos sentindo que algo estava errado com as suas pernas e ninguém levou a sério, saiba que a sua percepção é válida. A menopausa pode intensificar o lipedema, mas isso não significa que você precise conviver com a dor e o desânimo sem apoio. Com informação de qualidade e um cuidado responsável, é possível dar um novo rumo a essa história.
Meu propósito é unir a ciência da endocrinologia a um olhar humano e acolhedor, oferecendo acompanhamento próximo e metas reais. Se você deseja um tratamento sem culpa, com escuta de verdade e suporte médico sério, convido você a conhecer meu trabalho e dar o primeiro passo. Agende sua consulta presencial em Vitória ou por telemedicina pelo meu site: drarobertaportugal.com.br. Vamos cuidar das suas pernas, e da sua qualidade de vida, juntas.


